sábado, 23 de maio de 2009

Isaura

Cinza e com muita dor. Visitei-a no Hospital Santa Rita. Passei a tarde lá. Levei bananas, um creme hidradante, um exemplar de Seleções. Ninguém mais veio vê-la. Conversamos, conversamos, conversamos.Perguntou-me sobre a festa de quinze anos da Gabi, sobre a vinda do João Paulo e sua família; sobre a empregada, enfim, descrevi tudo e ela riu e acredito que  esqueceu um pouco da doença.
Isaura está com a "maldita" a "infame" a que não perdoa.
No quarto estavam acomodadas cinco pacientes, todas com suas esperanças, todas com suas cruzes pesadas.Massacre. Algumas tinham companhia: pais bem velhinhos, irmãs, filhas...Isaura só tinha a mim nesta tarde.
Saí de lá com uma bola no estômago. Já quase anoitecia. Vim murcha  na lotação.
Sinto que ajudei Isaura a ter esperança durante muito tempo aqui em casa, apoiando-a, permitindo que ela viesse trabalhar, mesmo com dificuldade.( dizia que trabalhando não pensava..-mas agora ela tem tido tempo demais para pensar: está internada há dez dias... )Muito fraquinha,  apagadinha, amarela, febril.
Não queria que Isaura se fosse. Ela tem só 49 !Fiquei triste. Estou triste.

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