A palavra já era um mistério entre meus avós e meus pais. Medo de pronunciá-la, medo de que sua simples menção poderia desencadear o processo e a 'maldita', prontamente viria instalar-se em algum membro da família... NÃO SE PODIA DIZER: '-o fulano está com câncer'. Dizia-se:-' fulano está com AQUELA DOENÇA'. Ao doente, escondiam o fato: médicos e familiares começavam, então a montagem de uma peça onde os mais convincentes eram os que já possuiam o dom da interpretação; '- você viu, o doutor falou que você tem uma 'broncoestasia pulmonar'... e os demais vibravam com a máscara que podiam usar: achavam que era mais sutil, menos triste e menos agressivo batizar desta forma o cãncer de pulmão do seu amado familiar.E neste fingimento, chegavam à cena final: o doente morria no último ato, sem ter conhecimento da sua real situação.Assim era.
As coisas se dismificaram com os estudiosos do assunto: hoje não se admite que um paciente não tenha conhecimento de sua condição. È certo que o baque da constatação: ",TENHO CÂNCER" aterroriza, deprime. A família se desespera, a casa cai. Mas a atitude positiva em relação à doença, a garra, a vontade de viver e de curar-se é um fator que auxilia: mudanças de atitude são verificadas em muitos indivíduos diagnosticados: eles começam a viver com intensidade os minutos dos dias que.supostamente ainda tem pela frente. e esses são cada vez mais longos, surpreendentes até em alguns casos.Poder-se-ia dizer, quem sabe,que as células cancerígenas perdem sua força.nesta guerra contra a vontade de viver.
E, por incrível que pareça,eu conheço pessoas que ainda vivem como no passado, usando daqueles mesmos subterfúgios mencionados acima: o doente está com' A DOENÇA', não tem idéia do que o está atingindo,e a família toda, está encenando a peça ' FINGIR ATÉ O FIM'...
segunda-feira, 30 de março de 2009
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